Capital intelectual: quando o valor não tem preço
Vivemos numa época curiosa. Quase tudo pode ser transformado em capital. O corpo virou capital. A beleza virou capital. A simpatia virou capital. A quantidade de seguidores virou capital. Até a vida amorosa, dependendo do ambiente, pode funcionar como uma espécie de currículo. Há pessoas que não entram em uma sala; entram carregando sinais. Roupa, corpo, dinheiro, profissão, contatos, viagens, parceiros, lugares frequentados. Tudo comunica alguma coisa. Tudo pode produzir valor. E então existe o capital intelectual. Esse é menos simpático porque dá trabalho. Capital intelectual não é simplesmente saber muitas coisas. Aliás, uma pessoa pode passar a vida acumulando informação e continuar intelectualmente medíocre. Há gente que conhece centenas de autores, cita filósofos, possui uma biblioteca invejável e não consegue pensar uma ideia própria. Informação é matéria-prima. Capital intelectual é a capacidade de fazer alguma coisa com ela. É compreender. Comparar. Desconfiar. Perceber padrõe...