O momento perfeito quase nunca chega

    Eu perdi algumas oportunidades esperando estar mais preparado. Hoje consigo reconhecer isso com certa tranquilidade, mas na época parecia prudência. 

    Eu dizia que precisava estudar mais, organizar melhor, ter mais dinheiro ou esperar uma oportunidade mais adequada. Algumas vezes era verdade. Em outras, era simplesmente medo usando roupa de planejamento.

    Essa é uma armadilha interessante. O medo raramente aparece dizendo “não faça”. Ele prefere argumentos inteligentes. “Ainda não é o momento.” “Preciso pesquisar mais.” “Quando tiver determinado equipamento, começo.” “Quando tiver mais seguidores, publico.” E assim podemos passar meses ou anos preparando uma coisa que nunca sai do lugar.

    Já percebi isso principalmente em projetos criativos. É muito fácil estudar sobre escrita sem escrever. Estudar marketing sem vender. Estudar música sem lançar uma música. A preparação dá uma sensação agradável de movimento, mesmo quando estamos parados. Eu não defendo aquela ideia irresponsável de simplesmente sair fazendo qualquer coisa. Existem decisões que exigem estudo, dinheiro e planejamento. 

  O ponto é outro: nenhuma preparação elimina completamente o risco. Em algum momento, precisamos testar nossa hipótese no mundo real.

    Também acho injusto comparar o nosso começo com o resultado de alguém que está há dez anos construindo alguma coisa. Vemos o produto pronto, o público, a experiência e os resultados. Não vemos os primeiros erros, os clientes que recusaram, os projetos abandonados e as noites de dúvida.

    Hoje, mesmo com um pouco de experiência, escolho adotar a mente de principiante. Testar. Observar. Corrigir. Repetir. Se der errado, descubro alguma coisa. Se der certo, tenho uma base para continuar. 

    O momento perfeito continua sendo uma ideia bonita, mas o momento possível costuma ser muito mais útil.


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