O algoritmo não pode decidir quem você é
Já publiquei coisas nas quais acreditava bastante e recebi pouco retorno. Também já vi conteúdos muito mais simples alcançarem muito mais pessoas. A primeira reação costuma ser emocional: “O algoritmo não entregou”. Depois penso melhor e lembro que alcance e valor não são a mesma coisa.
Quem trabalha com internet mais cedo ou mais tarde vai entender as plataformas. Eu não acredito nessa postura de ignorar algoritmo, métricas ou comportamento do público. Precisamos saber o que funciona. Precisamos observar retenção, cliques, frequência, formatos e tudo aquilo que ajuda a melhorar nossa comunicação.
O problema começa quando passamos a produzir exclusivamente para agradar a plataforma. Já vi criadores mudarem completamente a maneira de falar porque determinado formato estava funcionando. Depois de algum tempo, o conteúdo até podia ter mais alcance, mas a personalidade havia desaparecido.
Eu também já tive vontade de fazer isso. Quando uma determinada fórmula funciona, a tentação de repeti-la indefinidamente é enorme. Só que existe um custo. Podemos ganhar números e perder identidade.
Por isso, tento enxergar o algoritmo como ferramenta de distribuição, não como autoridade sobre aquilo que devo pensar. Ele pode me mostrar o que chamou atenção, mas não pode decidir aquilo que considero importante dizer.
Talvez o melhor caminho seja aprender as regras sem virar escravo delas. Entender a plataforma, mas preservar a própria voz. Usar métricas, mas não transformar métricas em autoestima.
No fim, uma publicação pode desaparecer em algumas horas. Uma ideia interessante pode permanecer por anos. Eu prefiro construir alguma coisa que sobreviva ao algoritmo, mesmo que isso leve mais tempo. Afinal, seguidores podem mudar. Plataformas podem desaparecer. Uma voz própria, continua sendo nossa.
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