Empreender é aprender a caminhar sem mapa
Eu imaginei por muito tempo que empreender fosse uma questão de coragem. Depois percebi que não é tão simples. Coragem ajuda, claro, mas existe uma parte do empreendedorismo que tem muito mais a ver com aprender a conviver com a dúvida.
Quando começamos alguma coisa nova, quase nunca temos todas as informações. A gente pesquisa, planeja, calcula, conversa com pessoas e, ainda assim, sobra aquela pergunta inconveniente: “Será que isso vai dar certo?”.
Eu já comecei projetos acreditando muito neles e depois descobri que algumas coisas precisavam ser completamente modificadas.
Também já tive ideias que pareciam ótimas na minha cabeça e que, quando chegaram ao mundo real, receberam aquela resposta silenciosa que nenhum empreendedor gosta de ouvir: ninguém se importou. É uma experiência curiosa. O ego leva um pequeno susto, mas a realidade oferece uma informação preciosa.
Acho que existe uma diferença importante entre fracassar e descobrir que uma hipótese estava errada. O primeiro parece uma sentença sobre quem somos. O segundo é apenas uma informação sobre aquilo que tentamos fazer. Quando conseguimos separar nossa identidade do resultado de um projeto, começamos a experimentar com muito mais liberdade.
Talvez por isso eu tenha aprendido a gostar um pouco mais dos caminhos tortuosos. Eles obrigam a gente a pensar. Uma venda que não acontece pode revelar um problema na oferta. Um livro que não encontra leitores pode mostrar que a divulgação foi ruim. Uma música que não alcança o público pode indicar que precisamos encontrar outro caminho para apresentá-la.
O curioso é que ninguém consegue aprender tudo isso apenas estudando. Livros ajudam, cursos ajudam, mentores ajudam, mas chega uma hora em que precisamos colocar a teoria diante da realidade.
É como música: você pode estudar harmonia durante anos, mas em algum momento precisa tocar. É tocando que descobrimos onde nossas mãos ainda não obedecem àquilo que nossa cabeça sabe.
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